Mais de 100 agricultores locais vão para o corte de cana no interior paulista

Na última quinta-feira, dia 25 de fevereiro, mais de 100 jovens saíram de Macaúbas em dois ônibus com destino ao interior paulista, mais especificamente para as cidades de Marília e São José do Rio Preto, para trabalhar como cortadores na colheita de cana de açúcar. Mesmo com a melhoria das condições de vida da população rural em todo o país, é ainda na agricultura dos grandes centros onde está a maior oferta de empregos para os menos preparados para o mercado de trabalho, mantendo vivo este costume que há muito tempo é realidade para estas pessoas. Alguns destes que foram para o interior de SP, acreditam que a única chance de ganhar dinheiro de forma rápida é passar a safra de cana trabalhando de forma árdua e assim, acumular um valor significativo, se comparado com a renda média destes trabalhadores na região.
Os trabalhadores contratados para a temporada da safra, que geralmente leva de 6 a 8 meses, são pré-selecionados por uma pessoa enviada da empresa contratante, que naturalmente arca com as despesas do transporte destas pessoas. Neste ano, com o intuito de auxiliar os agricultores do município, o SRT - Sindicato Rural dos Trabalhadores de Macaúbas disponibilizou médico e um local adequado para os exames clínicos preliminares antes da viagem. O secretário municipal de agricultura, Sr. Aloízio Rebonato, foi enfático ao dizer que sente-se impotente diante da falta de política de geração de renda através de programas de convivência no semi-árido, até mesmo porque já existem inúmeros exemplos de sucesso em outras regiões da Bahia, mas que ainda não recebem a devida importância dos poderes públicos federais, estaduais e municipais.
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| Trabalhadores durante exames clínicos preliminares |
Dada esta realidade, os jovens do município são praticamente forçados a buscarem outras alternativas, como este tipo de serviço, por exemplo. Parte deles, deixam mulheres e filhos sob cuidados próprios ou de parentes e as dificuldades não param por aí... chegando lá, muitas vezes moram em barracões com as mínimas condições de saneamento, dormindo e se alimentando mal durante vários meses. Esta dura realidade, que há anos degrada a dignidade destas pessoas, talvez tenha um fim próximo. A profissão do cortador da cana de açúcar (popularmente conhecido como bóia-fria), ainda responsável por metade da colheita, mas está com os dias contados no Brasil, segundo um estudo da Esalq/USP, que mede os efeitos da mecanização na lavoura, que vem crescendo ano após ano por diversos motivos. Além do uso de máquinas otimizar a produção e substituir o pagamento de mão-de-obra (uma colheitadeira substitui o trabalho de cem cortadores de cana), foram criadas leis para extinguir a colheita manual.
Em contraponto, neste ano começaram as primeiras turmas do programa "Renovação" nas cidades paulistas de Ribeirão Preto e Presidente Prudente, programa que está voltado para o treinamento e requalificação de trabalhadores que atuam no corte de cana-de-açúcar. O programa está previsto também para ser implantado na cidade de São José do Rio Preto (um dos destinos dos agricultores do município), assim como em Piracicaba, Bauru e Araçatuba. O programa, realizado pela Unica em parceria com a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), é patrocinado, além das usinas associadas, pela Syngenta, John Deere, Case IH e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Hoje o corte de cana emprega cerca de 140 mil cortadores e com a qualificação destes programas, estudos apontam que o setor tem condições de absorver 80 mil destes trabalhadores. As notícias são animadoras... só resta ver se terão efeito prático positivo para o trabalhador.